30 Maio 2009

Mudança comportamental


Mudança comportamental é o carro chefe do Grupo Transdisciplinar de Estudos Ambientais Maricá. Nesse sentido o Grupo está sendo bem atuante no município de Viamão, neste mês de maio esteve presente em dois projetos ambientais que identificam-se na necessidade de mudar hábitos , para melhorar a vida no Planeta Terra!Um deles, o projeto: “Viva o arroio Fiúza”, projeto de revitalização, proposto pela E.E.E.M. Açorianos. O Grupo Maricá foi atuante nesta proposta, uma saída de campo para um breve diagnóstico foi realizada junto aos gestores e estudantes. E, sem deixar de chamar atenção para o aquecimento global e mudanças climáticas, o Grupo ilustrou diversos pontos negativos, mais mutáveis em hábitos diários do público em uma palestra organizada na ACIVI.


“O grupo Maricá atua como o nome da espécie que leva, é pioneira na formação de multiplicadores ambientais, na expectativa que modifiquem o pensar e hábitos em prol do coletivo e do ecossistema”.


Outra proposta semeada pelo Maricá foi ao Jardim Estalagem, onde a comunidade tem a vontade de mudar atitudes insustentáveis para o meio ambiente. O ponta-pé inicial deu-se através da união de forças entre a Igreja Medianeira e a E.E.E.M. Antônio de Souza Neto.
“Tivemos dois dias de dialogo expositivo com os estudantes, que somaram um público de aproximadamente 300 pessoas”.


O grupo Maricá sempre coloca a disposição da comunidade a educação ambiental, para socializar informações e dados, buscando a conscientização e participação de todos. Tem como função social à orientação para garantir um Planeta ecologicamente equilibrado, com maior qualidade de vida para todos.


“Queremos sustentabilidade de nosso Município e Planeta, que se dará através de práticas agrícolas menos ofensivas ao meio ambiente, do consumo consciente, da justiça social, da preservação da biodiversidade ed e nossos mananciais hídricos, do zelo e amor por todas as formas de vida existentes em nosso Planeta”.


Somos parceiros para tornar o meio ambiente mais equilibrado, saudável e solidário.


(*) Márcio de Souza Fernandes, é Biólogo, especialista em Projetos Sociais e Culturais, educador voluntário no projeto Zumbi dos Palmares Pré-vestibular e ativista do Grupo Maricá.

20 Maio 2009

Maricá no Faicker Nunes


O Grupo Maricá participou de reunião pedagógica com educadores da Escola Municipal de Ensino Fundamental Faicker Nunes.

A proposta do encontro foi articular ações de educação ambiental nas ações da escola, como forma de enfrentar os principais problemas locais.

Conforme Vinicius Lima “o encontro foi extremamente proveitoso. Principalmente por partir dos professores a idéia de tematizar o meio ambiente em suas ações pedagógicas”.

Fabio Silva destacou que “é necessário implementarmos ações efetivas de educação ambiental em nossas escolas. E a qualificação dos educadores neste processo é fundamental”.

Unidades de Conservação em Viamão

As Unidades de Conservação podem ser divididas em duas categorias, conforme estabelecidas pelo SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza - Lei 9.985/2000, são elas: (I) proteção integral; (II) uso sustentável. Em Viamão, 27% do território estão protegidos por unidades de conservação.

A proteção integral tem por objetivo básico a preservação da natureza, admitindo-se o uso indireto dos recursos naturais. No município existem três unidades com estas características: Parque Estadual de Itapuã, Parque Saint´ Hilaire e o Refugio da Vida Sivestre do Banhado dos Pachecos. De acordo com o SNUC, os parques estaduais têm como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, com utilização para pesquisa científica e educação. Os limites do parque são de domínio público, sendo que as áreas particulares devem ser desapropriadas. As áreas circundantes ao parque, num raio de dez quilômetros, caracterizam-se como zona de amortecimento, onde as atividades são orientadas de acordo com o plano de manejo do parque, para minimizar os impactos negativos sobre a unidade.

O Parque Estadual de Itapuã foi estabelecido pelo Decreto Estadual n.º22.575 de 14 de julho de 1973 e nº 33.886, de 11 de março de 199, localizado no extremo sul do município de Viamão, próximo a Laguna dos Patos. Além da visitação, a unidade de conservação tem como objetivos a conservação da biodiversidade, a pesquisa científica e a educação ambiental. São 5.566 ha, abrigando uma diversidade de paisagens e ecossistemas compostos de morros, praias, dunas, lagoas e banhados (SEMA). Os objetivos específicos estabelecidos no Plano de Manejo, são: proteger os ecossistemas originais; proteger espécies da fauna silvestre, especialmente a endêmica; proteger a vegetação da Mata Atlântica ocorrente na área com suas formações característica dos morros graníticos e tipos fisionômicos próprios da planície litorânea do Estado; proteger a Lagoa Negra; proporcionar estudos científicos; promover a recuperação de áreas; conservar áreas de notáveis belezas cênicas naturais; proteger o farol de Itapuã e as manifestações histórica;fornecer programas interpretativos; e possibilitar o treinamento e reciclagem dos guarda-parques.

O Refugio da Vida Silvestre Banhado dos Pachecos compreende a uma área de 2.543,466 ha nas proximidades da Rodovia RS-040, localidade de Águas Claras. Os Refúgios de Vida Silvestre são unidades de conservação com objetivo de proteger ambientes naturais onde se asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória. O Banhado dos Pachecos apresenta diversidade biológica relevante e a presença de espécies ameaçadas de extinção. O complexo do Banhado Grande é apontado pela SEMA como uma das áreas mais importantes para a conservação de aves do Rio Grande do Sul, apresentando relevância mundial.

A unidade de conservação está dentro dos limites da Área de Proteção Ambiental Banhado Grande e ainda não tem Plano de Manejo. No entorno do banhado está o Assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra "Filhos de Sepé", registrado no INCRA por Projeto de Assentamento Viamão. É o maior assentamento do Estado, com 9.406 ha, onde foram inicialmente estabelecidas 376 famílias.

Parque Saint´ Hilaire foi criado oficialmente pelo município de Porto Alegre em 1947, como Jardim Botânico Municipal, foi enquadrado no Sistema Nacional de Unidades de Conservação em 2003, pelo decreto 14289, passando a ter a denominação Parque Natural Municipal Saint Hilaire. O Parque localizado Passo do Sabão no município de Viamão, situado na sub-bacia do arroio Dilúvio, abrange uma área total de 1.180 ha na porção leste do município de Viamão, divisa com o município de Porto Alegre. As entradas do Parque estão no município de Viamão, por onde ocorre a visitação da área de proteção ambiental. O Parque possui plano de manejo participativo do ano de 2002 que estabelece os objetivos, diretrizes de planejamento, zoneamento programas de manejo, programas de uso público e problemas de integração com a área de influência.

Área de Proteção Ambiental Banhado Grande, é uma unidade de conservação de Uso Sustentável, tem uma área total de 136 mil hectares, decretada pelo governo do estado, com objetivo principal de proteção da bacia do Gravataí, porém, esta unidade não foi implementada e as atividades dentro do seu limite não correspondem com as objetivadas por esse tipo de unidade de conservação. A APA do Banhado Grande foi criada em 1998, pelo Decreto Nº 38.971 de 23 de outubro, situando-se nos municípios de Glorinha, Gravataí, Santo Antônio da Patrulha e Viamão. Possui 133.000 ha, e nela insere-se o conjunto de banhados formadores do Rio Gravataí: Banhado do Chico Lomã (Santo Antônio da Patrulha); Banhado dos Pachecos (Viamão); e Banhado Grande (Gravataí e Glorinha). Os objetivos da área são preservar o conjunto de banhados, compatibilizar o desenvolvimento socioeconômico com a proteção dos ecossistemas naturais, conservar o solo e os recursos hídricos, recuperar as áreas degradadas, contribuir para a otimização da vazão do Rio Gravataí, e, ainda proteger a flora e a fauna nativas e seus locais de reprodução. A APA do Banhado Grande não tem efetivação além da legalidade imposta pelo decreto, isso quer dizer que não existe um plano de manejo, com planejamento de ações e zoneamento ecológico econômico da área, isso implica na falta de diretrizes e controle das atividades praticadas na área de proteção ambiental.

As áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPNS são unidades de conservação de uso sustentável instituídas em área privada, gravadas com perpetuidade, com o objetivo de preservar a diversidade biológica. Com a transformação da área em RPPN o proprietário pode requerer isenção do pagamento de ITR da área, e tem benefícios quanto a financiamento de projetos. Estão delimitadas três RPPNs, todas de pequena extensão territorial, são elas: Professor Deumar dos Reis com área de 10 ha, Chácara Saranduva com área de 3 ha e Itapuã com área de 8,83 ha.

Ao lado das unidades de conservação, a Lei 9.985/2000 incorpora a Reserva da Biosfera, reconhecida pelo Programa Intergovernamental Man and Biosphere – MAB, da UNESCO. A Reserva da Biosfera "é um modelo, adotado internacionalmente, de gestão integrada, participativa e sustentável dos recursos naturais, com os objetivos básicos de preservação da diversidade biológica, desenvolvimento de atividades de pesquisa, o monitoramento ambiental, a educação ambiental, o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida das populações". Esse modelo de gestão dos recursos naturais pode ser constituída por áreas de domínio público.

Conhecer as unidades de conservação, entender seu papel e sua contribuição a preservação das espécies e dos ecossistemas associados é um desafio para as presentes e futuras gerações. O desenvolvimento de Viamão deve levar em conta esta diversidade.

Fonte:

www.sema.rs.gov.br

www.portoalegre.rs.gov.br

19 Maio 2009

Blog Maricá / Viamão Hoje Ecologia com 10.000 acessos

O Blog Maricá / Viamão Hoje Ecologia completou 10.000 acessos esta semana. O Blog é um espaço de informações socioambientais de Viamão e conta com diversos artigos, notícias e atividades em defesa do meio ambiente.

O mesmo tem link com a Rede Brasileira e Sulbrasileira de Educação Ambiental, além da Rede Transdisciplinar.

Em Viamão, são mais de quarenta colaboradores que postam semanalmente informações no Blog.

O crescimento dos acessos está relacionado à maior inserção do Maricá na comunidade.

Resta-nos agradecer a todos colaboradores que participam e apóiam nossas ações!

16 Maio 2009

DIA DA SOLIDARIEDADE

O Grupo Maricá esteve presente nas atividades do Dia da Solidariedade, que ocorreu neste sábado (16/05) na Redenção. "Devemos defender permanentemente uma cultura de paz e respeito entre as pessoas e as culturas. Um novo olhar sobre o mundo é necessário"

Além disso, militantes da entidade foram visitar a banca de livros do ilustre Augusto Carneiro, um dos ícones do ambientalismo do Brasil.

15 Maio 2009

Sete anos sem Lutz...

(17/12/1926 - 14/05/2002)

Em maio, fazem sete anos que faleceu o grande ambientalista José Lutzemberger.

No livro "Do Jardim ao Poder" ele dizia "Se hoje estragos são imensos e os mortos se contam às centenas, não tardará o dia em que os flagelados e os mortos totalizarão milhões. Somos incapazes de aprender com nossos erros. As advertências sempre mais dramáticas da Natureza de nada valem. Insistimos no consumo de nosso futuro. O homem moderno desmonta e degrada sistematicamente a Ecosfera, isto é, a grande unidade funcional do Caudal da Vida. Não somente estraga, uma a uma, as peças da engrenagem, mas ainda joga areia no mecanismo, dificultando seu funcionamento e preparando o colapso. Está claro que a espécie humana não poderá continuar por muito tempo com a sua cegueira ambiental e com sua falta de escrúpulos na exploração da Natureza. Tudo tem seu preço, e, quanto maior o abuso, maior será o preço. Devemos compreender que a Ecosfera é uma unidade funcional onde todas as peças são complementares de todas as demais. Não podemos causar danos apenas locais. Tudo está ligado com tudo. À medida que explode a população, implode a capacidade de manutenção desta população. Se destruirmos os oceanos, acabaremos destruindo a nós mesmos."

Um grande mestre! Um símbolo a todos nós. Que sigamos todos seus ideais e suas lutas.

Nascido em Porto Alegre, José A. Lutzenberger formou-se engenheiro agrônomo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1950 e fez pós-graduação em ciência do solo na Lousiana State University, 1951/2. Após trabalhar até 1957 em empresas de adubos químicos no Rio Grande do Sul, foi para a Alemanha trabalhar na BASF, empresa multinacional em química agrícola. Esteve sediado na Alemanha, Venezuela e Marrocos, trabalhando como executivo e assessor técnico nos países do norte da América do Sul e Caraíbas, na África do Norte, Espanha e Canárias.

Em dezembro de 1970 pediu demissão por não poder mais coadunar sua visão ecológica com as práticas da agro-química. Voltou a sua terra natal e tornou-se autônomo, inicialmente como consultor, depois como empresário.

Ao constatar os estragos causados pelos agrotóxicos na agricultura brasileira, assim como a devastação ambiental em geral, ajudou a fundar um movimento ambiental militante, a AGAPAN, Associação Gaúcha de Proteção Ambiental. Tornou-se conhecido no Brasil inteiro. Por trabalhar em cinco idiomas (Alemão, Inglês, Português, Frances e Castelhano), acabou tornando-se conhecido mundialmente, embarcando em intensiva atividade de palestras e participação em movimentos na Europa, América do Norte e do Sul, Ásia e África. Em 1987, criou a Fundação GAIA, para promover consciência ecológica e desenvolvimento sustentável, atualmente praticando e promovendo agricultura ecológica, regenerativa, educação ambiental para crianças e conscientização ecológica para a comunidade em geral. Dentro do contexto de um desenvolvimento sustentável, Lutzenberger preocupava-se, além disso, com energias limpas, renováveis e todo o panorama de tecnologias brandas ou suaves que são as tecnologias ecologicamente sustentáveis e socialmente desejáveis. Fundamental para ele era a conscientização para uma visão naturalista com ética holística, não antropocêntrica, também chamada "ecologia profunda" (deep ecology).

Lutzenberger participou intensivamente da luta contra o Banco Mundial em Rondônia onde o Projeto Polo Noroeste causou tremenda devastação e desestruturação social. Nunca interrompeu a luta contra os agrotóxicos, participou, mais recentemente, na contestação dos transgênicos na agricultura e luta contra a marginalização sistemática dos camponeses no mundo inteiro. Neste contexto promoveu o mercadeio local e regional dos alimentos.

Recebeu inúmeros prêmios e condecorações. Em 1988 recebeu o prêmio "Right Livelyhood Award", conhecido como Nobel Alternativo. Em suas atividades e lutas Lutzenberger

costumava usar linguagem forte e emotiva, mantendo-se, porém, estritamente dentro da visão e disciplina científica.

Desempenhou-se como Secretário Especial do Meio Ambiente em Brasilia, durante o governo do Presidente Fernando Collor, permanecendo como titular da pasta de março de 1990 até meados de 1992.

Como empresário fundou, em 1979, a empresa "VIDA produtos e serviços em desenvolvimento ecológico" que emprega umas cem pessoas e que faz consultorias e empreitadas em engenharia sanitária e reciclagem de resíduos industriais, jardins e paisagismo.

14 Maio 2009

VI Fórum Brasileiro de EA

Vem aí o VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, evento em âmbito nacional, promovido pela Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA), coletivo que reúne mais de 40 redes de educação ambiental e educadores ambientais do país.

O evento acontecerá de 22 a 25 de julho deste ano no campus da Praia Vermelha, da UFRJ. O endereço da universidade é Avenida Pasteur, 250, no bairro da Urca, no Rio de Janeiro/RJ.

O Coordenador do VI Fórum, o educador ambiental Declev Dib-Ferreira, estima a participação de mais de 5 mil participantes inscritos.

Acontecerão, durante os 4 dias, cerca de 80 minicursos e oficinas, 10 mesas-redondas, 20 Jornadas Temáticas, Encontros paralelos, lançamentos de livros, show musicais, festivais de cinemas, apresentação de pôsteres, entre outros.

Responsável pela organização da programação, construída coletivamente com os membros da Rebea, a educadora Jacqueline Guerreiro informa que este fórum terá algumas atrações extras, como o Espaço Ecumênico, o Espaço Semente e a presença de todas as Redes componentes da REBEA.

O Fórum também se configurará como um espaço de diálogo entre a REBEA e demais redes ambientais, como a Rede Brasileira de Agendas 21 Locais (REBAL), Rede Brasileira de Informação Ambiental (REBIA) e a Rede de Salas Verdes.

Todos os informes, inscrições, valores, inscrição de trabalhos podem ser feitos no site do evento, que será muito mais que um espaço de divulgação de informação, mas um espaço interativo, de discussões, trocas e permanente construção em prol da qualidade da educação ambiental brasileira.

A Secretaria Executiva do evento está sob a responsabilidade do Instituto Baía de Guanabara (IBG) e maiores informações podem ser conseguidas através do site http://forumearebea.org ou do email viforum@baiadeguanabara.org.br.

Os prazos e os valores do VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental podem ser encontrados no link: http://forumearebea.org/valores-e-prazos-das-inscricoes-do-vi-forum-brasileiro-de-educacao-ambiental/

13 Maio 2009

Ética e racismo ambiental

Por Robert Bullard - Sociólogo e Diretor do Environmental Justice Resource Center

O conceito "racismo ambiental" se refere a qualquer política, prática ou diretiva que afete ou prejudique, de formas diferentes, voluntária ou involuntariamente, a pessoas, grupos ou comunidades por motivos de raça ou cor. Esta idéia se associa com políticas públicas e práticas industriais encaminhadas a favorecer as empresas impondo altos custos às pessoas de cor. As instituições governamentais, jurídicas, econômicas, políticas e militares reforçam o racismo ambiental e influem na utilização local da terra, na aplicação de normas ambientais no estabelecimento de instalações industriais e, de forma particular, os lugares onde moram, trabalham e têm o seu lazer as pessoas de cor. O racismo ambiental está muito arraigado sendo muito difícil de erradicar.

A tomada de decisões ambientais muitas vezes reflete os acordos de poder da sociedade predominante e das suas instituições. Isto prejudica as pessoas de cor, enquanto oferece vantagens e privilégios para as empresas e os indivíduos das camadas mais altas da sociedade. A questão de quem paga e quem se beneficia das políticas ambientais e industriais é fundamental na análise do racismo ambiental.

O racismo ambiental fortalece a estratificação das pessoas (por raça, etnia, status social e poder), o lugar (nas cidades principais, bairros periféricos, áreas rurais, áreas não-incorporadas ou reservas indígenas) e o trabalho (por exemplo, se oferece uma maior proteção aos trabalhadores dos escritórios do que aos trabalhadores agrícolas).

Este conceito institucionaliza a aplicação desigual da legislação; explora a saúde humana para obter benefícios; impõe a exigência da prova às "vítimas" em lugar de às empresas poluentes; legitima a exposição humana a produtos químicos nocivos, agrotóxicos e substâncias perigosas; favorece o desenvolvimento de tecnologias "perigosas"; explora a vulnerabilidade das comunidades que são privadas de seus direitos econômicos e políticos; subvenciona a destruição ecológica; cria uma indústria especializada na avaliação de riscos ambientais; atrasa as ações de eliminação de resíduos e não desenvolve processos precautórios contra a poluição como estratégia principal e predominante. A tomada de decisões ambientais e o planejamento do uso da terra em nível local acontecem dentro de interesses científicos, econômicos, políticos e especiais, de tal forma que expõem às comunidades de cor a uma situação perigosa. Isto é particularmente verdade no Hemisfério Sul e, também, no Sul dos EUA, região que foi convertida numa "área de sacrifício"; um buraco negro para os resíduos tóxicos. Fora disso, ela está impregnada pelo legado da escravidão e pela resistência braça à justiça eqüitativa para todos.

O Hemisfério Sul (e também o Sul dos EUA) se caracteriza por políticas ambientais equivocadas e pela concessão de significativas deduções fiscais. A aplicação simplificada das normas ambientais deu lugar a que o ar, a água e a terra dessas regiões sejam mais contaminadas pelas indústrias, principalmente das multinacionais estadunidenses.

No Corredor Industrial do Baixo Mississipi, na Luisiana, têm-se estabelecido empresas petroquímicas que produzem agrotóxicos, gasolina, tintas e plásticos. Os ecologistas e os residentes locais o apelidaram de "Beco do Câncer", sendo que os benefícios fiscais que recebem essas indústrias poluentes criaram poucos postos de trabalho para esses elevados custos. A revista Time denunciou que na Luisiana foram eliminados U$ 3,1 bilhões em impostos sobre propriedades de empresas poluentes. As cinco companhias mais poluentes receberam U$ 111 milhões em benefícios no último decênio. Este exemplo se aplica a inúmeras empresas dos países do Hemisfério Sul.

Existe uma correlação direta entre a exploração da terra e a exploração das pessoas. De forma geral, os indígenas são a parte da população que se defrontam com algumas das piores formas de poluição, entre elas a do mercúrio usado nos garimpos e as populações marginais que vivem perto dos lixões e aterros sanitários, incineradores e de outros tipos de operações perigosas praticadas pelas empresas mineradoras. A poluição industrial se manifesta também no aleitamento materno das mães das grandes cidades como São Paulo ou Nova Iorque. No caso dos EUA, as reservas dos indígenas norte-americanos, estão sendo sitiadas pelo "colonialismo radiativo".

O legado do racismo ambiental institucional privou a muitas nações com grande número de indígenas de uma infra-estrutura econômica capaz de combater a pobreza, o desemprego, a educação e a atenção para a saúde e muitos outros problemas sociais. O racismo ambiental é evidente em escala mundial. O transporte de resíduos perigosos das comunidades ricas para as comunidades pobres não soluciona o crescente problema dos rejeitos em escala mundial. O transporte transfronteirizo de agrotóxicos proibidos, resíduos perigosos e produtos tóxicos e a exportação de "tecnologias perigosas" dos EUA – país onde a regulação e a legislação são rigorosas – para nações com uma infra-estrutura e uma legislação mais fracas, coloca em evidência a desigualdade normativa.

Os diferentes interesses e os acordos assinados pelos representantes do poder permitiram que as sustâncias venenosas dos ricos sejam oferecidas aos pobres como remédio de curto prazo para paliar a sua pobreza. Esta situação se observa tanto no plano nacional (nos EUA, onde as instalações dos resíduos e as indústria "sujas" afetam desproporcionadamente as comunidades de baixa renda e as pessoas de cor), como no plano internacional (onde os resíduos perigosos se transportam dos países membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – OCDE aos Estados não pertencentes à mesma).

As pessoas de cor que se encontram em perigo nos países industrializados do Norte têm muito em comum com as populações dos países em desenvolvimento, que também estão ameaçadas pelas empresas poluentes. Por exemplo, grupos comunitários do Norco (Estado de Luisiana) e de Ogoni (Nigéria) identificaram a Shell como uma ameaça comum. Os ativistas da justiça ambiental têm se mobilizado em grupos dentro das cidades, bairros e vilas, desde Atlanta até o Equador; do Alaska até a África do Sul; das reservas dos indígenas dos EUA às selvas tropicais da Colômbia, El Salvador e do Brasil. Estes grupos têm se organizado, educado e empoderado a si mesmo, para desafiar o Governo e as empresas industriais poluentes.

O racismo ambiental se manifesta no trato desigual que recebem os operários. Milhares de trabalhadores do campo e as suas famílias estão expostos a perigosos agrotóxicos nas terras onde laboram. Igualmente eles são obrigados a aceitar salários e condições de trabalho inferiores ao nível médio. O racismo ambiental também se expande pelo entorno das funções exploradoras e escravizantes das empresas manufatureiras de roupa, da indústria microeletrônica e das indústrias extrativistas. Uma percentagem desproporcionadamente elevada de trabalhadores que se defrontam a condições trabalhistas e de segurança mínimas são imigrantes, mulheres e pessoas de cor.

Fonte: Revista Eco 21, ano XV, Nº 98, janeiro/2005.

11 Maio 2009

E o guerreiro descansou...


Dia 05 de maio. Esta data deve ser lembrada em Viamão. Neste dia, um dos militantes mais importantes de nossa cidade nos deixou. Antonio Pires da Silva Júnior, o nosso eterno fotógrafo. Ele partiu…

Pires, como era conhecido por todos nós, devido a um acidente vascular cerebral, nos últimos meses, estava em uma cadeira de rodas. Isto não o impediu de seguir sua jornada. Ao contrário, estava mais forte. Lembro-me de que no ano de 2007, na Semana das Pessoas com Deficiência de Viamão, realizamos vivências com cadeiras de rodas na Praça Júlio de Castilhos. Na época, Salete Milan, da Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes observava o Pires tentando se locomover na cadeira “é dura a vida de vocês, agora entendo a luta por acessibilidade”. Um ano depois ele é que estava naquela situação, e lutando como sempre.

Esquerdista nato, militante fervoroso, um mestre na arte da dialética. Em muitos momentos me vi ao seu lado, debatendo, dialogando, enfim, tinha nele um espelho de tudo aquilo que pensava sobre uma verdadeira militância, pois ele tinha uma bandeira única – a luta por um mundo mais justo, humano e fraterno. E exercitava isto no seu dia a dia.

Pires morava na Vila Augusta, nas margens do Arroio Feijó. Muitas vezes estivemos juntos defendendo o meio ambiente. Ele me dizia “tu está passando para teu irmão o maior patrimônio de um homem – a leitura, o saber, o cuidado com as pessoas e com o meio ambiente…”

Foi torturado na ditadura do Uruguai. Morreu sem receber a tão sonhada indenização. Ele vivia a luta social. Sabia o papel de um cidadão. Sua militância não era partidária. Era muito mais que isto. Ele defendia a democracia, as políticas de estado. Justamente estas políticas que se tornaram tão distantes de sua vida. Que sua partida reforce nossa luta. Que seus ideais sejam nossas bandeiras.

Ele foi o reflexo que algo está errado. Ele jamais se convenceu de que era invisível. Até os últimos dias de sua vida, buscou o básico para a sobrevivência. Nestas horas que observamos o quanto precisamos avançar nos direitos humanos, na consolidação de políticas sociais eficientes, no cuidado com as pessoas…

O Pires morreu. E, confesso que morri um pouquinho com ele. Assumo a minha parcela de culpa. Que sociedade é esta onde oprimimos o nosso próximo?

Na vida, tive muitos mestres, e sem dúvida, Pires foi um deles. Obrigado guerreiro! Descanse em paz!

Covima se reune na ARV


A reunião ordinária do Conselho Viamonense do Meio Ambiente do mês de abril ocorreu na sede da Associação dos Recicladores de Viamão. Segundo o presidente Jorge Amaro, “é necessário valorizar espaços como estes que disseminam uma cultura de sensibilização ambiental”.


A ARV é sede do Projeto Sala Verde, em parceria com o Grupo Maricá, onde funciona uma biblioteca ambiental, telecentro e oficinas de artereciclagem.


O Covima completou a estruturação das Comissões Temáticas Permanentes, que a partir de agora, estarão debatendo os temas Florestamento, Mineração, Educação Ambiental e Saneamento Ambiental. Também foi esquematizado a programação da semana do meio ambiente.


“Estamos colocando o Covima como um espaço central de discussão e deliberação das políticas ambientais locais. Precisamos avançar para a gestão plena, mas para isso a participação da sociedade é extremamente importante.”


As coalizões na sociedade civil estão se fortalecendo, explicitando escolha de temas e questões a serem enfrentadas em nome da busca de objetivos comuns, configurando a inflexão de uma dinâmica reativa para uma dinâmica propositiva, que aproxima as ONGs e movimentos da mídia e que centra sua atuação na coleta, sistematização e disseminação de informações.

Palestra em Alvorada


O biólogo Jorge Amaro, assessor técnico da FADERS, entidade vinculada a SJDS e presidente do Grupo Maricá esteve palestrando aos jovens do Projeto Pescar da SOUL e aos futuros agentes ambientais de Alvorada. As palestras ocorreram no dia 22 de abril, Dia da Terra.


Segundo Amaro, “o Projeto Pescar é uma experiência de cidadania empresarial voltada para a formação profissional de jovens carentes e sem acesso ao mercado de trabalho. Enfatiza que em parceria com empresas, fundações e o governo estadual do Rio Grande do Sul, este projeto, através da educação, vem provendo a inclusão social de meninos com idade entre 14 e 18 anos.”


A palestra teve como tema gestão ambiental, políticas públicas e inclusão social. “É uma forma de levar informação a estes jovens para que sejam atuantes na sociedade.


Já os agentes ambientais, um curso de iniciativa da prefeitura de Alvorada através da Secretaria do Meio Ambiente, são pessoas de diferentes segmentos sociais que buscam capacitação para ações práticas em defesa do meio ambiente.


“Estes espaços são importantes, pois estes são os atores sociais que fortalecerão a cidadania ambiental e a inclusão social”

08 Maio 2009

PROTEJA SEU ANJO DA GUARDA...




Clique na imagem para ampliar...