
Foi há 49 anos que aconteceu o Massacre de Shaperville, na África do Sul. No dia 21 de Março de 1960, o Congresso Pan-Africano (PAC) organizou um protesto contra a Lei do Passe. Esta lei consistia na obrigatoriedade para a população negra da utilização de um cartão que identificava os locais onde poderiam e deveriam ir. Cinco mil foi o número de manifestantes reunidos em Shaperville, uma cidade próxima de Johannesburg, na província de Gauteng, África do Sul. A polícia tentou detê-los. Resultado: 69 mortos e 180 feridos. Pela primeira vez, o mundo prestou atenção à questão do Apartheid. O dia 21 de Março ficou na história como o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, desde o ano que sucedeu o Massacre de Shaperville até aos dias de hoje. Por essa altura, Nelson Mandela estava já bem empenhado na luta não violenta anti-apartheid. Tornou-se comandante do braço armado do ANC (o Umkhonto we Sizwe) em 1961, que ele próprio e outros colegas fundaram. Preparava-se uma alegada guerrilha e sabotavam-se os alvos militares. Em 1962, Mandela acabava preso. A sua história de luta pela igualdade social e de oposição ao Apartheid tornou-se de tal modo conhecida, que o movimento "Libertem Nelson Mandela" se tornou bandeira de todas as campanhas e grupos anti-apartheid ao redor do mundo.
Mandela foi libertado em 1990, um ano depois de ter recebido o Prémio Internacional Al-Gaddafi de Direitos Humanos.
Mandela foi libertado em 1990, um ano depois de ter recebido o Prémio Internacional Al-Gaddafi de Direitos Humanos.
Também de suma importancia nesta luta é de Martin Luther King, pelo seu ativismo político nos Estados Unidos, procurando o direito ao voto e igualdade entre as raças. Se Mandela e Luther King se tornaram ícones, foi porque mudaram mentalidades. Hoje, arriscamo-nos a enumerar um rol de personalidades que, de uma forma ou de outra, se têm destacado na defesa das minorias étnicas. Muitos deles com projeção na área da indústria cultural, como é o caso de Bono Vox. lider da Banda U2. Esta evolução das mentalidades tem trazido ao mundo acontecimentos considerados históricos. Os Estados Unidos da América, um dos países onde as minorias étnicas pareciam sentir-se mais discriminadas, elegeram recentemente o primeiro Presidente negro da sua história, Barack Obama. Oprah Winfrey foi considerada pela revista Forbes a mulher mais influente e rica do séc. XX. Muitas coisas mudaram. E, ao mesmo tempo, os atos de racismo e xenofobia persistem. São conhecidas poucas queixas de discriminação ao nível oficial. Mas segundo um relatório da Anistia Internacional divulgado esta semana “o racismo e a xenofobia não são de todo inexistentes”. Uma das principais dificuldades continua a ser entrada no mercado de trabalho de negros e imigrantes, sobretudo na Europa. É por isso que, nos vários países do mundo, existem hoje associações e instituições cujo objetivo é apoiar a integração dos imigrantes. Duarte Miranda Mendes, chefe de gabinete do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI) alerta para a importância de “saber ver o outro, e nunca criar estereótipos ou discriminar em função da nacionalidade estrangeira, da cor da pele, do apelido ou de algumas tradições ou especificidades culturais que se desviem daquilo que são os padrões”.
Portanto essa data deve ser referencida como um marco na Luta Contra Quaisquer Formas de Discriminação, contra as mulheres, idosos, negros, imigrantes.
Em Viamão...
A Escola Municipal Apolinário Alves dos Santos, em parceria com a Igreja Presbiteriana Independente, o Grupo Maricá e a Brigada Militar, organizou-se uma belíssima atividade, envolvendo alunos e professores. Os pastores presbiterianos Vinicius Lima e Itamar Murback relataram a importância das diferenças e da diversidade humana, os respeito e ainda refletiram sobre um problema crescente em nossas escolas, o bullying, um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully ou "valentão") ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma.
A Brigada Militar, através do Tenente Roberto e do soldado Antonio, abordou sobre o o PROERD (Programa de Resistência às Drogas) parceria esta que a escola estará aderindo, trabalhando com os alunos dos 5, 6 e 7 anos. O Programa é uma iniciativa da Polícia Militar de prevenção para crianças do Ensino Fundamental até o Ensino Médio; os pais também recebem orientações em reuniões e palestras, representando um esforço cooperativo entre Escolas, Pais e Polícia Militar. O PROERD é baseado no Programa Americano chamado D.A.R.E (Drug Abuse Resistance Education). Hoje ele é desenvolvido em mais de 50 países, e cerca de 40 milhões de crianças por ano têm instrução com policiais PROERD. Os objetivos principais do PROERD são noções de cidadania, prevenir ou reduzir o uso de drogas e a violência entre crianças e adolescentes. A ênfase deste programa está em auxiliar os alunos a reconhecerem as pressões diretas ou indiretas que os influenciarão a experimentar álcool, cigarro, maconha, inalantes, ou outras drogas e a resistirem a elas, bem como àquelas para se engajarem em atividades violentas. O Programa oferece estratégias preventivas para reforçar os fatores de proteção, em especial referentes à família, à escola e à comunidade, que favorecem o desenvolvimento da resistência em jovens que poderiam correr o risco de se envolver com drogas e problemas de comportamento. Esta estratégia concentra-se no desenvolvimento da competência social, habilidades de comunicação, autoestima , empatia, tomada de decisões, resolução de conflitos, objetivo de vida e independência, e alternativas ao uso de drogas e outros comportamentos destrutivos. O desenvolvimento do conteúdo do PROERD pode ser incorporado de forma interdisciplinar no currículo escolar dentro das disciplinas relativas a saúde, ciências, estudos sociais, literatura e outras. O professor deve manter um papel de apoio na classe, enquanto o policial está em aula.
Conforme Fabio Silva, professor e um dos organizadores da atividade “estamos carentes de políticas que realmente enfrentem a violência em nossa cidade. Por isso, através da escola, do Maricá, da igreja, da Brigada Militar, enfim, a partir de parcerias de forças vivas de Viamão, estamos fazendo nossa parte. Porém, é necessário maior envolvimento dos setores públicos induzindo ações mais consistentes. A escola não pode estar isolada nesta tarefa.”


