
O projeto modifica as características da orla do Guaíba com a construção de espigões e encontra grande resistência da parte de ONGs, entidades e associações comunitárias.
Que legitimidade desta votação agora, por vereadores em final de mandato, já que 44% da câmara foi renovada? E se a sociedade tem dúvidas, por que não debater? Por que a SMAM não se posicionou? Onde estão os demais órgãos?
Conforme o advogado Christiano Ribeiro, do Movimento Integridade, o projeto tem uma série de irregularidades, desde o vício de iniciativa - de vereadores – até o trâmite da matéria na câmara, pois faltam os pareceres das comissões de Habitação e de Saúde e Meio Ambiente.
"É um projeto apenas para beneficiar um único empreendedor, sem justificativas de interesse social e utilidade pública, e com alternativa locacional”, afirma Ribeiro.
Será que não seria interessante investir na recuperação ambiental da área? Um empreendedor para ter uma LP (Licença Prévia) da SMAM necessita de pareceres de diversas equipes, o que não ocorreu.
Aprovação
A Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou, às 21h36min desta quarta-feira (12/11), o projeto de lei complementar nº 006/2008, conhecido como Pontal do Estaleiro. O projeto prevê alterações na lei 470/2002, que define o regime urbanístico na área do antigo Estaleiro Só. Com a aprovação da proposta pela Câmara, o projeto será avaliado agora pelo Executivo, a quem caberá a autorização final para execução das obras. É hora de saber de que lado o prefeito Fogaça está, pois ele tem dois caminhos: ou veta ou sanciona o projeto. O projeto tem vício e origem, pois deveria ter partido do executivo. Na noite desta quinta-feira (13/11) no programa Conversas Cruzadas, da TVCOM a população opinou: Com mais de 3500 ligações, 59% disse que o prefeito Fogaça tem que vetar o projeto.
Na votação, a proposta recebeu 20 votos favoráveis e 14 contrários, além de duas abstenções. Com a aprovação da emenda de número 6, apresentada por Luiz Braz (PSDB), foi retirado do projeto o parágrafo 4 do artigo 2º, o qual estabelecia índice construtivo na área com limite de 1,5. Também foram aprovadas as emendas de números 1, de Adeli Sell (PT), 2 e 4, de Haroldo de Souza (PMDB), e 3 e 5, do Dr. Goulart (PTB).
A aprovação da emenda número 7, do Professor Garcia (PMDB), retirou do projeto o parágrafo 6, que estabelecia volumetria com altura de 43 metros e taxa de ocupação de acordo com Estudo de Viabilidade. A retirada do parágrafo 7, prevista na mesma emenda, contudo, ficou prejudicada pela aprovação anterior da emenda de número 5, do Dr. Goulart, que considerou viável a localização de edificações residenciais no local, desde que protegidas contra eventuais cheias do Guaíba.
Votos
Votaram a favor do Pontal do Estaleiro os vereadores Alceu Brasinha (PTB), Almerindo Filho (PTB), Bernardino Vendruscolo (PMDB), Dr. Goulart (PTB), Elias Vidal (PPS), Ervino Besson (PDT), Haroldo de Souza (PMDB), João Carlos Nedel (PP), João Antônio Dib (PP), João Bosco Vaz (PDT), José Ismael Heinen (DEM), Luiz Braz (PSDB), Maria Luiza (PTB), Maristela Meneghetti (DEM), Maurício Dziedricki (PTB), Mauro Zacher (PDT), Nereu D´Avila (PDT), Nilo Santos (PTB), Sebastião Melo (PMDB) e Valdir Caetano (PR).
Contrários ao projeto votaram os vereadores Adeli Sell (PT), Aldacir Oliboni (PT), Beto Moesch (PP), Carlos Todeschini (PT), Cláudio Sebenelo (PSDB), Dr. Raul (PMDB), Guilherme Barbosa (PT), José Valdir (PT), Marcelo Danéris (PT), Margarete Moraes (PT), Maria Celeste (PT), Mauro Pinheiro (PT), Neuza Canabarro (PDT) e Professor Garcia (PMDB). Os vereadores Elói Guimarães (PTB) e Maristela Maffei (PCdoB) se abstiveram.
Acesso
O projeto que tramitou na Câmara Municipal foi subscrito por 17 vereadores: Alceu Brasinha (PTB), Bernardino Vendruscolo (PMDB), Dr. Goulart (PTB), Elói Guimarães (PTB), Haroldo de Souza (PMDB), Maria Luiza (PTB), Maurício Dziedricki (PTB), Nilo Santos (PTB), Valdir Caetano (PR), Almerindo Filho (PTB), Elias Vidal (PPS), Ervino Besson (PDT), João Carlos Nedel (PP), Luiz Braz (PSDB), Maristela Meneghetti (DEM), José Ismael Heinen (DEM) e Nereu D´Avila (PDT).
Arquitetônico
Parque, SIM! Espigão, NÃO!
São estas as palavras de ordem do movimento em defesa da orla do Guaíba, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, lançado pelo Fórum Municipal de Entidades da cidade, que reúne associações de bairros, entidades profissionais e entidades ambientalistas, contra a pretensão de um grupo de edis da Câmara de Vereadores que estão alterando a legislação ambientalista vigente para atender aos interesses de um único proprietário-investidor.
Este proprietário-investidor arrematou em leilão uma área de preservação permanente sabendo de sua condição legal, e se dispôs a afrontar a legislação para auferir lucros superiores a 2.342%, na construção daquilo que estava expressamente proibido no local: um super-condomínio com seis prédios em forma de muralha, cor branco neve e 43 metros de altura.
História
Apesar disso, o empreendedor tratou de encomendar seu projeto construtivo proibido, denominado de Pontal do Estaleiro, e ideado pelo arquiteto Jorge Debiagi, cuja volumetria obstrui completamente a vista do morro que lhe fica atrás. O entrave legal existente não intimidou o empreendedor: procurou ele a Câmara Municipal de Porto Alegre, e conseguiu que 17 vereadores assinassem um projeto de lei destinado a quebrar a legislação em benefício de sua empresa. O Fórum de Entidades, responsável pela análise e emendas ao Plano Diretor como porta-voz da comunidade, entendeu perfeitamente que esse único projeto abre um precedente que deitaria por terra toda a legislação ambiental para a orla, e possivelmente para outras regiões da cidade.




