16 Fevereiro 2012

Supressão da vegetação de Viamão: nossa contribuição para o debate


O caso da supressão de três Ligustros (Ligustrum japonicum) no centro de Viamão suscitou uma série de debates e opiniões na cidade. Há um fato em sim, que precisa ser elogiado – não há mais conformismo com relação a degradação ambiental por parte da sociedade, não sendo a preocupação com o ambiente, somente tratado por ambientalistas.

Antes de julgarmos o mérito, é importante iniciarmos com algumas reflexões.  Primeiro, sobre o papel ecológico das árvores, onde seus benefício são inúmeros e variados. Sua importância é estar associada à vida, ao ar que respiramos, daí a necessidade de mantermos o equilíbrio das florestas, preservando as matas nativas e mantendo protegidos os mananciais, onde fauna e flora encontram ambientes diferenciados, onde desempenham a proteção do solo, rios e nascentes, contribuem com a fertilização, preservação da vida silvestre e de plantas, retirada de poluentes do ar, diminuição de ruídos externos, embelezamento da cidade e valorização dos imóveis do ponto de vista ambiental, paisagístico e econômico e por fim, contribuição para o equilíbrio psicossocial, transmitindo sensação de calma e conforto às pessoas.

Segundo, entendermos que a proteção do meio ambiente está garantida por um conjunto de leis que auxiliam sua preservação. As árvores, no Rio Grande do Sul, tem como principal instrumento de defesa, o código florestal estadual (Lei 9.519/92). Se por um lado, toda supressão deve vir acompanhada de uma compensação, em igualdade de condições, por outro, a autorização para corte e poda deve ter uma justificativa técnica muito bem embasada por profissional habilitado. Para cada árvores suprimida, sendo ela nativa, devem ser plantadas 15 outras mudas. Quando esta for exótica, devem ser plantadas outras 5 mudas.

O caso dos Ligustros nos dá margem a uma discussão muito mais ampla do que suprimir, mas escolher que tipo de cidade queremos, pois esta árvore é uma das mais abundantes na arborização central de Viamão. Desde a retirada das Palmeiras na entrada da cidade, das Tipuanas em frente a Praça da Matriz, carecemos de um Plano de Arborização Urbana, definindo critérios de intervenção, principalmente naqueles vegetais localizados em vias púbicas.

Não podemos de forma alguma abrir mão de nossas árvores! Mas a fragilidade da política de gestão ambiental municipal nos dá margem para que situações como estas aconteçam, o que é lamentável.

Bom, mas com este cenário, o que fazer? Há um tempo, estamos apontando alguns elementos para qualificar a questão do meio ambiente em Viamão os quais insistimos em reforçar: Órgão ambiental fortalecido, espaço de controle social respeitado e financiamento das políticas públicas ampliado. Estes pontos, associados à implantação do Plano Ambiental são as condições para que possamos construir uma cidade com mais qualidade de vida e sustentabilidade.

Algumas questões a serem respondidas:

- Quantas licenças de supressão vegetal foram emitidas em 2011/2012?
- Quantas árvores foram plantadas no período?
- Quais as condições do viveiro na Granja Municipal?

21 Janeiro 2012

Fórum Social Mundial 2012


Mais uma vez estamos reunidos em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo para debater e elaborar propostas para um novo mundo. Nesta edição o Fórum Social é temático e vai concentrar os debates nos temas centrais da conjuntura internacional que são a crise capitalista e justiça social e a justiça ambiental.
O FST 2012 se insere no processo do Fórum Social Mundial, iniciado aqui em 2001, e quer ser novamente um espaço de convergência do pensamento altermundista. Neste início da segunda década do século XXI, duas questões dominam os debates: a crise do mundo capitalista, no momento evidenciado no continente europeu e na recessão norte-americana; e as luta dos movimentos e organizações sociais por um desenvolvimento sustentável que preserve o meio ambiente e respeite os direitos dos diferentes grupos sociais, principalmente os mais vulneráveis do mundo.
Como em junho próximo, acontece no Rio de Janeiro a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que marca duas décadas da Eco92, o FST2012 também se insere como momento preparatório para a Rio+20 dos Povos que será um evento paralelo à conferência oficial e que reunirá lideranças e movimentos dos cinco continentes para pressionar por avanços na defesa dos direitos sociais e ambientais de todos os povos. Passados 20 anos, está claro que nenhuma das promessas feitas pelos governos foi cumprida. É preciso que movimentos e ativistas sociais estejam presentes para marcar nossas posições de desagrado com o modelo de desenvolvimento das economias capitalistas, que gera devastação ao planeta e sofrimento aos povos. Parte desta mobilização e a discussão e elaboração de propostas alternativas estarão sendo articuladas em dezenas de Grupos Temáticos e de Atividades Autogestionárias em nosso Fórum Social Temático. Nestes cinco dias haverá centenas de atividades, oficinas, palestras, seminários, conferências e atividades culturais.
A juventude terá seu espaço de destaque no Acampamento Intercontinental da Juventude, teremos o protagonismo das feiras de economia solidária, praças de alimentação orgânica, vegetariana e espaços de convivência e vida alternativa. As quatro cidades receberão representantes de todas as vertentes da sociedade civil organizada. De todo os continentes estarão presentes ativistas que foram protagonistas dos novos movimentos, tais como o Occupy Wall Street, a Primavera Árabe, os indignados da Espanha, as manifestações estudantis chilenas, entre outros. Este Caderno de Programação que cada participante tem em mãos, contêm um guia praticamente completo de programação do FST 2012. Os movimentos e organizações sociais brasileiros e internacionais convidam a todos:

É hora de reinventar o mundo!

COMISSÃO ORGANIZADORA

PROGRAMAÇÃO COMPLETA AQUI

O Grupo Maricá, em parceria com seu Núcleo de Osório e a Faculdade Cenecista de Osório - FACOS estará participando de diversos debates socioambientais. Um deles será nos dias 27 e 28, no Encontro da rede Sulbrasileira de Educação Ambiental, que ocorrerá pela manhã no Jardim Botânico de Porto Alegre, dentro do II Tecendo Saberes .