O caso da supressão de três Ligustros (Ligustrum japonicum) no centro de Viamão suscitou uma série de debates e opiniões na cidade. Há um fato em sim, que precisa ser elogiado – não há mais conformismo com relação a degradação ambiental por parte da sociedade, não sendo a preocupação com o ambiente, somente tratado por ambientalistas.
Antes de julgarmos o mérito, é importante iniciarmos com algumas reflexões. Primeiro, sobre o papel ecológico das árvores, onde seus benefício são inúmeros e variados. Sua importância é estar associada à vida, ao ar que respiramos, daí a necessidade de mantermos o equilíbrio das florestas, preservando as matas nativas e mantendo protegidos os mananciais, onde fauna e flora encontram ambientes diferenciados, onde desempenham a proteção do solo, rios e nascentes, contribuem com a fertilização, preservação da vida silvestre e de plantas, retirada de poluentes do ar, diminuição de ruídos externos, embelezamento da cidade e valorização dos imóveis do ponto de vista ambiental, paisagístico e econômico e por fim, contribuição para o equilíbrio psicossocial, transmitindo sensação de calma e conforto às pessoas.
Segundo, entendermos que a proteção do meio ambiente está garantida por um conjunto de leis que auxiliam sua preservação. As árvores, no Rio Grande do Sul, tem como principal instrumento de defesa, o código florestal estadual (Lei 9.519/92). Se por um lado, toda supressão deve vir acompanhada de uma compensação, em igualdade de condições, por outro, a autorização para corte e poda deve ter uma justificativa técnica muito bem embasada por profissional habilitado. Para cada árvores suprimida, sendo ela nativa, devem ser plantadas 15 outras mudas. Quando esta for exótica, devem ser plantadas outras 5 mudas.
O caso dos Ligustros nos dá margem a uma discussão muito mais ampla do que suprimir, mas escolher que tipo de cidade queremos, pois esta árvore é uma das mais abundantes na arborização central de Viamão. Desde a retirada das Palmeiras na entrada da cidade, das Tipuanas em frente a Praça da Matriz, carecemos de um Plano de Arborização Urbana, definindo critérios de intervenção, principalmente naqueles vegetais localizados em vias púbicas.
Não podemos de forma alguma abrir mão de nossas árvores! Mas a fragilidade da política de gestão ambiental municipal nos dá margem para que situações como estas aconteçam, o que é lamentável.
Bom, mas com este cenário, o que fazer? Há um tempo, estamos apontando alguns elementos para qualificar a questão do meio ambiente em Viamão os quais insistimos em reforçar: Órgão ambiental fortalecido, espaço de controle social respeitado e financiamento das políticas públicas ampliado. Estes pontos, associados à implantação do Plano Ambiental são as condições para que possamos construir uma cidade com mais qualidade de vida e sustentabilidade.
Algumas questões a serem respondidas:
- Quantas licenças de supressão vegetal foram emitidas em 2011/2012?
- Quantas árvores foram plantadas no período?
- Quais as condições do viveiro na Granja Municipal?


